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Publicado em: 14 de maio de 2024
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Você já reparou se a sua dor de cabeça é mais frequente no verão? Essa constatação pode estar associada ao fato de que as crises de enxaqueca no calor aumentam.1 A situação ocorre porque as altas temperaturas podem estimular os termorreceptores cutâneos, que favorecem a aparecimento dos sintomas da patologia.1
A compreensão dos efeitos do calor na manifestação da doença crônica é uma importante iniciativa para adotar estratégias que ajudem a reduzir os episódios de dor, melhorando a sua qualidade de vida e permitindo que você possa aproveitar melhor o verão.3
Quer saber mais sobre o assunto? Então, continue a leitura para conferir!
A enxaqueca, ou migrânea, é uma condição neurológica caracterizada principalmente por dores de cabeça intensas e pulsantes, que são afetadas por diversos fatores, como alimentos desencadeadores e mudanças hormonais, além de estresse e estímulos do ambiente.1,3 Acompanhe a relação a seguir para conhecer os elementos que desencadeiam as crises dessa cefaleia.
O excesso de preocupações, ansiedade, estresse, tensão e antecipação de eventos ameaçadores ou negativos são desencadeadores dos sintomas da enxaqueca.2
Diante da antecipação de uma situação futura, o organismo passa a agir como se ela já estivesse ocorrendo.2 Assim, o cérebro ativa os seus mecanismos de defesa, como o sistema da dor, resultando nas crises de migrânea.2
O ato de passar longos períodos em jejum é considerado um dos fatores cruciais para o agravamento das crises.2 Permanecer várias horas sem se alimentar pode resultar em uma baixa de açúcar no sangue e levar à produção de substâncias que estimulam a dor.2
Por isso, é recomendado que portadores de enxaqueca façam refeições com intervalos de 3 a 4 horas e não exagerem quando ficarem períodos maiores sem se alimentar.2
Dormir bem é fundamental para manter a saúde e controlar os episódios de dor. Ter poucas ou muitas horas de sono, dificuldade para adormecer, roncar, acordar durante a noite, bem como dormir e acordar tarde e ter sonolência durante o dia ampliam as chances de cefaleia.2
Diferentemente do que muitas pessoas pensam, os analgésicos não tratam a enxaqueca, visto que atuam apenas no alívio da intensidade e duração das crises.2
O uso excessivo desses medicamentos pode cronificar e agravar o problema, fazendo com que as crises se tornem cada vez mais resistentes e frequentes.2
As crises de cefaleia também podem se intensificar no público feminino durante a Tensão Pré-menstrual (TPM) e do período menstrual.2 O desequilíbrio de hormônios e irregularidades menstruais podem estar relacionados ao agravamento da enxaqueca.2
Já na menopausa ou na gravidez, quando a placenta contribui para a produção e manutenção dos níveis contínuos de hormônios, ou com a prescrição de anticoncepcionais contínuos, os sintomas da migrânea são amenizados.2
Se você consome muito café ou bebidas e alimentos com cafeína, como chocolates, chás-pretos e refrigerantes de cola, é importante rever esse hábito, pois o consumo excessivo de cafeína pode agravar as crises de enxaqueca.2
Porém, não é aconselhável cortar o consumo desses alimentos repentinamente, vista que essa atitude pode levar à abstinência e resultar em mais dores de cabeça.2
A prática regular de exercícios físicos é uma grande aliada no combate à migrânea, já que colabora para a produção de endorfinas e regula a produção de neurotransmissores, como melatonina e serotonina, tornando o organismo mais resistente à dor.2
Você sabia que a luz do sol pode ser um fator desencadeante único para alguns pacientes com enxaqueca? Estudos apontam que existe um grupo especial de pessoas que experimentam dores de cabeça apenas quando são expostas à luz solar, tanto no verão quanto no inverno.1
Embora muitos indivíduos com a patologia tenham diferentes fatores precipitantes, como luz forte,Tekata & Mugen (2013), revelou em seus estudos que a radiação solar é o único gatilho para as crises.1
Os cientistas sugerem que a luminosidade pode afetar certos neurônios através dos olhos.1 Noseda et al. propuseram a modulação de neurônios talamocorticais sensíveis na dura-máter por meio de vias retinianas não formadoras de imagens como um possível mecanismo. No entanto, o mecanismo para tal explicação continua incerto.4
A variação na intensidade da luz, especialmente durante o verão, pode levar a ataques mais frequentes e intensos para quem é mais sensível.1
Para alguns pesquisadores, substâncias no cérebro, como a 5-hidroxitriptamina e o óxido nítrico, desempenham papéis importantes na relação entre calor e enxaqueca.1 A exposição à radiação ultravioleta emitida pelo sol pode alterar essas substâncias, possivelmente desencadeando dores de cabeça por meio da vasodilatação — dilatação dos vasos sanguíneos.1
Além do brilho da luz solar, a temperatura pode ser considerada outro fator desencadeante da migrânea.1 Como esperado, durante o verão o sol brilha mais e a temperatura é mais elevada do que no inverno. Temperaturas mais altas podem estimular os termorreceptores cutâneos, o que por sua vez pode levar a crises de enxaqueca.1
Na estação mais quente do ano, as dores de cabeça podem durar mais e serem mais intensas do que no frio. A razão para isso pode ser a temperatura mais elevada, principal característica do verão.1
Quem sofre mais com as temperaturas altas deve adotar estratégias que amenizem o problema.1 O ideal é evitar atividades em locais ensolarados, como fazer um piquenique ou férias à beira-mar, passear ao ar livre e nadar, especialmente no verão.1
Caso você necessite se expor ao sol, é indicado usar uma proteção, como chapéu ou boné, para prevenir as crises de dores de cabeça.1 Outra opção é fazer uso de óculos escuros, a fim de proteger os olhos dos raios solares.1
O cuidado mais eficaz é evitar a luz solar e dormir melhor. Em muitos casos, tomar um medicamento analgésico sem dormir não é o suficiente para aliviar a dor.1
A enxaqueca no calor pode afetar algumas pessoas tanto pelo contato com a luz sol quanto pelo aumento da temperatura.1 As crises frequentes de enxaqueca podem ser incapacitantes, o que gera um alerta para evitar os fatores precipitantes desses episódios, proporcionando mais bem-estar e qualidade de vida nos dias mais quentes.1
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Referências
1.TEKATAS, Aslan; MUNGEN, Bulent. Migraine Headache triggered specifically by sunlight: report of 16 cases. Eurpean Neurology; 2013;70:263–266. Disponível em: https://karger.com/ene/article/70/5-6/263/134441/Migraine-Headache-Triggered-Specifically-by. Acesso em: 06 fev. 2024.
2. Sociedade Brasileira de Cefaleia. Os 10 principais desencadeantes da cefaleia. [Internet]. 2016. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=5. Acesso em: 06 fev. 2024.
3. Liaquat A, Sheikh WA, Yousaf I, Mumtaz H, Zafar M, Khan Sherwani AH. Frequency of migraine and its associated triggers and relievers among medical students of Lahore: a cross-sectional study. Ann Med Surg (Lond). 2023 Oct 5;86(1):103-108. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10783279/pdf/ms9-86-103.pdf
4. Noseda R, Kainz V, Jakubowski M, Gooley JJ, Saper CB, Digre K, Burstein RA: Neural mechanism for exacerbation of headache by light. Nat Neurosci 2010; 13: 239–245. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2818758/pdf/nihms165638.pdf
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