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Tabagismo e doenças respiratórias: qual a relação entre eles?

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Nos séculos passados, o tabaco era utilizado em rituais religiosos, como planta medicinal e até como símbolo de status e da libertação feminina.1 Já atualmente, seu uso é desencorajado. Afinal, desde a década de 1920, existem evidências científicas que comprovam que o tabagismo ativo e passivo estão relacionados ao desenvolvimento de 50 doenças!2

Quem desempenha um papel primordial no planejamento de ações para controle do tabaco é a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para cumprir essas metas, o governo brasileiro criou o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, e os resultados têm sido positivos.3

Desde 2010, houve uma redução de 35% no consumo do tabaco.4 A indústria do tabaco, porém, usa diversas práticas que reduzem o avanço das estratégias antifumo.1 O resultado é o aumento do número de fumantes entre os jovens e do consumo de tabaco de formas alternativas, como narguilé e cigarro eletrônico.5

Por isso é tão importante se informar sobre os malefícios do tabaco e entender de vez a relação entre tabagismo e doenças respiratórias e muitas outras. Este conteúdo, portanto, traz dados sobre os riscos e mostra a importância de largar ou evitar o cigarro.

Como o tabaco e as doenças pulmonares se relacionam?

A relação entre o tabaco e doenças pulmonares foi descoberta em 1920 quando os médicos demonstraram uma associação entre o uso do cigarro e o câncer de pulmão.1 Atualmente, sabe-se que o uso do tabaco e derivados são os principais responsáveis por problemas pulmonares.6

No Brasil, todos os dias morrem mais de 400 pessoas em decorrência do tabagismo. Por ano, são mais de 156 mil óbitos, principalmente por câncer — mortes que poderiam ser evitadas.6 Além do câncer, pode causar doença obstrutiva crônica, enfisema pulmonar, tuberculose e bronquite crônica.6

O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente no tabaco.7 Os danos ao pulmão são causados pelas substâncias tóxicas, cancerígenas e radioativas presentes na fumaça que sai durante o fumo.6

Além disso, leva a uma necessidade psicológica e comportamental parecida com a que acontece com o uso de outras drogas, como álcool, maconha e cocaína.7 A nicotina atua sob o sistema nervoso, estimulando a liberação de substâncias que geram a sensação de bem-estar. Como a nicotina é eliminada rapidamente, ocorre um forte desejo por mais nicotina, ou seja, mais cigarro.7

Outros quadros causados pelo tabagismo

O tabagismo está relacionado com patologias além das pulmonares, principalmente doenças cardiovasculares e da cavidade oral, osteoporose, catarata e úlceras no sistema digestivo.8 Nos homens, especificamente, pode causar impotência. Nas mulheres, infertilidade, menopausa precoce e complicações durante a gestação.8

Quais são os principais desafios no controle do tabagismo?

Tabagismo e doenças respiratórias: qual a relação entre eles?

Controlar o tabagismo não é uma tarefa simples. São muitos desafios que envolvem áreas como regulamentação de propagandas e de impostos, educação da sociedade, tratamentos, entre outras.3 No contexto das doenças respiratórias, destacamos o fumo passivo e as formas alternativas para uso do tabaco como relevantes.

Fumo passivo

Além do uso ativo do tabaco, a exposição passiva à fumaça do tabaco expõe ao risco das doenças citadas. Isso ocorre porque uma boa parte da fumaça gerada na queima é liberada no ambiente.9 Essa poluição ambiental em ambientes fechados é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, seguida pelo tabagismo ativo e excesso de consumo de álcool.9

Os adultos não fumantes, além de sofrerem os efeitos imediatos, como coceira nos olhos, dor de cabeça, tosse e aumento dos problemas alérgicos, têm risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão e 24% maior de infarto em relação às pessoas não expostas à fumaça.9

Um alerta! As crianças, ao respirarem mais rápido que os adultos, são as mais prejudicadas.6 Aquelas que vivem com fumantes costumam ter pneumonia, bronquite e agravamento da asma, assim como estão mais propensas a desenvolverem uma doença cardiovascular quando forem adultas.6 Em bebês, a absorção da fumaça aumenta em cinco vezes o risco de morte súbita.9

Formas alternativas para uso do tabaco

O cigarro eletrônico, também conhecido como vape, apesar de ser promovido como uma alternativa mais segura em relação ao cigarro, também causa danos à saúde.10 Ainda não existem estudos sobre os efeitos a longo prazo, mas já se sabe que o cigarro eletrônico:10

  • pode causar convulsões;
  • causa lesões no pulmão;
  • causa tosse, irritação na garganta, tontura, dores de cabeça e náuseas;
  • aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, predispondo a doenças cardiovasculares;
  • aumenta o risco de câncer (estudos em animais e com células humanas).10

Segundo Dr.ᵃ Maura Neves, Médica Otorrinolaringologista, o cigarro eletrônico “além de causar doenças respiratórias, cardiovasculares e câncer, causa dependência”.11

Essa falsa percepção de que o vape é menos danoso e sua maior aceitação social têm prejudicado as ações para controle do tabaco. Além de estimular o uso em ambientes fechados, contribui para a experimentação e o uso.10

Outros fatores que aguçam a curiosidade pelo cigarro eletrônico, especialmente pelos jovens, são o aditivo de sabor e a aparência tecnológica. No Brasil, por exemplo, entre 2015–2019, houve um aumento no uso entre jovens de 15 a 24 anos.12

Outro fumígeno que parece inofensivo é o narguilé, mas uma sessão de 1 hora equivale à inalação da fumaça de 100 a 200 cigarros!13 O cachimbo d’água, como também é conhecido, causa dependência a longo prazo e pode resultar em câncer de pulmão, doenças respiratórias e aterosclerose.13 Estudos apontam um aumento do uso entre jovens de 18–24 anos.5

Como evitar doenças pulmonares causadas pelo tabagismo?

Certamente, evitar o cigarro e outros produtos fumígenos é a melhor maneira de prevenir doenças pulmonares e outras condições graves causadas pelo tabaco.7 Mesmo para quem é fumante, parar de fumar é uma medida capaz de aumentar a expectativa de vida, independentemente da idade.7

Os benefícios, porém, são maiores quanto mais cedo se larga esse hábito. Se for por volta dos 30 anos, a expectativa de vida aumenta em quase 10 anos!14 Sem contar que, após 10 anos sem cigarro, o risco de infarto se torna igual ao de um não fumante.7

No Brasil, o SUS oferece tratamento para parar de fumar desde 2004. “Basta procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para obter ajuda. O tratamento engloba terapias e o uso de remédios quando necessário, e todas as decisões médicas dependem das condições individuais físicas e do grau do vício”, explica Dra. Maura Neves.11

Há mais de um século que a associação entre o uso do tabaco e doenças respiratórias foi identificada, atingindo não só os fumantes ativos, mas também os passivos, como as crianças. Mesmo assim, muitas pessoas ainda têm o hábito de fumar, e a tendência tem aumentado entre jovens. A indústria do tabaco recorre a artifícios questionáveis para subverter essa faixa etária, e um exemplo é o surgimento dos cigarros eletrônicos.

A boa notícia é que o tabagismo tem cura, e essa é a melhor forma de evitar doenças que atingem o sistema respiratório. Quem deixa de fumar tem maior expectativa de vida e mais saúde. Se você deseja ou conhece alguém que queira se livrar do vício, procure o programa do SUS para o tratamento.

Agora que você entende melhor a relação entre tabagismo e doenças respiratórias, acompanhe mais conteúdos do blog A Vida Plena para saber mais sobre saúde e bem-estar.

Referências:

1. Brasil, Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer – Inca. O controle do tabaco no Brasil: uma trajetória. 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/exposicao_controle_tabaco_brasil_trajetoria.pdf. Acesso em: 14 jun. 2024.

‌2. Brasil, Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer – Inca. Doenças relacionadas ao tabagismo. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/dados-e-numeros-do-tabagismo/doencas-relacionadas-ao-tabagismo. Acesso em: 14 jun. 2024.

3. Brasil, Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer – Inca. O que é a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco? 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/convencao-quadro. Acesso em: 14 jun. 2024.

4. Organização Pan-Americana da Saúde – OPAS/OMS. O consumo de tabaco está diminuindo, apesar dos esforços da indústria do tabaco para comprometer o progresso. 2024. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/16-1-2024-consumo-tabaco-esta-diminuindo-apesar-dos-esforcos-da-industria-do-tabaco-para. Acesso em: 14 jun. 2024.

5. Brasil, Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer – Inca. Prevalência do tabagismo. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/dados-e-numeros-do-tabagismo/prevalencia-do-tabagismo. Acesso em: 14 jun. 2024.

‌6. Brasil, Ministério da Saúde. Tabaco e derivados são os principais causadores de problemas pulmonares. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/setembro/tabaco-e-derivados-sao-os-principais-causadores-de-problemas-pulmonares. Acesso em: 14 jun. 2024.

7. Brasil, Ministério da Saúde. Linhas de Cuidado. Sou Paciente – Tabagismo. 2021. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/tabagismo/sou-paciente/. Acesso em: 14 jun. 2024.

8. Brasil, Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer – Inca. Doenças relacionadas ao tabagismo. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/dados-e-numeros-do-tabagismo/doencas-relacionadas-ao-tabagismo. Acesso em: 14 jun. 2024.

9. Brasil, Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde MS. Tabagismo passivo: você conhece os riscos? Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/tabagismo-passivo-voce-conhece-os-riscos/. Acesso em: 14 jun. 2024.

10. Brasil, Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer – Inca. Dispositivos eletrônicos para fumar (DEF). 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/politica-nacional/dispositivos-eletronicos-para-fumar-def-1. Acesso em: 14 jun. 2024.

11. Cartão SUS. Como conseguir tratamento para parar de fumar pelo SUS. Disponível em: https://cartaodosus.info/como-parar-de-fumar/. Acesso em: 14 jun. 2024.

12. Brasil, Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer – Inca. Dispositivos eletrônicos para fumar (DEF). 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/dados-e-numeros-do-tabagismo/def-dados-e-numeros. Acesso em: 14 jun. 2024.

13. Brasil, Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer – Inca. Parece inofensivo, mas fumar narguilé é como fumar 100 cigarros. 2013. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/folhetos/parece-inofensivo-mas-fumar-narguile-e-como-fumar-100-cigarros. Acesso em: 14 jun. 2024.

14. Brasil, Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde MS. “Comprometa-se a parar de fumar hoje!” 31/5 – Dia Mundial Sem Tabaco. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/comprometa-se-a-parar-de-fumar-hoje-31-5-dia-mundial-sem-tabaco/. Acesso em: 14 jun. 2024.

* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

Elaborado em 10 de junho de 2024