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Demência na mulher: quais são os dados e como ocorre?

O que você sabe sobre a demência na mulher? Essa é uma condição relativamente comum e que, infelizmente, é pouco mencionado pelas pessoas. Então, já vamos passar um dado importante: dois terços dos pacientes diagnosticados são mulheres. Ou seja: mais do que a metade!1 

Isso acontece por vários fatores. Uma das hipóteses está relacionada ao fato de que as mulheres têm uma maior expectativa de vida.1 No entanto, isso não é tudo: a relação entre hormônios e demência também parece ser significativa, especialmente devido à redução nos níveis de estrogênio.2

Gostaria de saber mais sobre o assunto? Então, continue a leitura para tirar as suas dúvidas e entender por que mulheres têm mais demência do que os homens. Vamos lá! 

O que é a demência?

Agora, é hora de você entender mais sobre esse tipo de doença. Demência é um termo geral para vários transtornos que causam alterações cognitivas, que vão desde a perda de memória até o comprometimento da capacidade de resolução de problemas.3 

Dentre todos os tipos de demência, a Doença de Alzheimer é uma das mais comuns, representando até 80% dos casos. O segundo tipo mais comum é a demência vascular, que ocorre devido a sangramentos microscópicos e bloqueios nos vasos sanguíneos do cérebro.3

Além disso, atenção: existem muitas outras condições que podem causar sintomas parecidos. Um exemplo disso é a deficiência de algumas vitaminas. Por isso, é muito importante realizar um diagnóstico adequado.3

Sintomas

Os sinais de demência podem variar. Alguns exemplos são:3

  • problemas com a memória de curto prazo;
  • dificuldade para encontrar objetos;
  • esquecimentos de compromissos.

Outro detalhe importante é que os sintomas da demência são progressivos: começam lentamente e pioram à medida que o tempo passa. Diante disso, é fundamental que mesmo os sinais mais sutis não sejam ignorados.3

Diagnóstico  

Com sintomas tão inespecíficos, fica a dúvida: como é feito o diagnóstico da demência? Antes de tudo, é importante saber que não há um teste específico para confirmar o quadro.3 Entre outras palavras: não há um exame que possa ser feito e resulte em “positivo” ou “negativo” para a demência.

Sendo assim, o diagnóstico é obtido com base em:3

  • histórico médico detalhado do paciente;
  • exame clínico adequado;
  • testes laboratoriais para descartar outras condições;
  • observação das mudanças características no pensamento, na função diária e no comportamento associados a cada tipo. 

Tratamento 

Antes de voltarmos a falar sobre as particularidades dos casos de demência entre as mulheres, que tal conversarmos um pouco sobre o tratamento dessa condição? A abordagem depende do tipo de condição com a qual estamos lidando, ainda mais considerando que, em boa parte dos casos, não há cura para o quadro.

No entanto, há controle! Procura-se retardar o agravamento dos sintomas, pelo maior tempo possível, e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores.3

De modo geral, as medicações ajudam a:4

  • reduzir a agitação nos pacientes;
  • melhorar a memória;
  • melhorar as capacidades cognitivas em geral.

Por que as mulheres têm um maior risco de desenvolver demência?

Agora, chegou a hora de voltarmos a falar especificamente sobre a demência em mulheres. Já descobrimos que o grupo feminino tem maiores chances de desenvolver essa condição.1,2 E isso não é tudo: essa também já foi a principal causa de morte entre as mulheres em alguns lugares, como é o caso do Reino Unido, de acordo com dados de 2011.2 

Mas por quê?

Continue para entender os principais fatores de risco para o desenvolvimento da demência em mulheres! 

Idade

A idade é o maior fator de risco para demência, já que a prevalência aumenta significativamente após os 65 anos. Nesse contexto, as mulheres vivem mais que homens, o que aumenta a probabilidade de desenvolverem várias condições, incluindo demência.2 

Hormônios 

Mudanças hormonais após a menopausa, como a redução do estrogênio, podem impactar a cognição e aumentar o risco de demência. A terapia de reposição hormonal tem sido testada como tratamento, mas ainda não há resultados conclusivos.2

Hipertensão  

A pressão alta é outro fator de risco importante nesse cenário. Por isso, as mulheres que desenvolvem hipertensão aos 40 anos têm maior risco de desenvolver demência tardiamente.

Sedentarismo

Baixos níveis de atividade física também estão ligados a uma maior incidência de demência. Além disso, as mulheres tendem a ser menos ativas fisicamente do que os homens. Sendo assim, é possível que exista uma associação entre essas características.2

Solidão

Por fim, o isolamento social e a depressão são grandes fatores de risco para demência. Altos níveis de contato social estão associados a uma melhor função cognitiva na velhice. No entanto, muitas mulheres idosas vivem sozinhas e podem ter dificuldade em acessar serviços de saúde, o que é capaz de dificultar o diagnóstico formal da condição.2

Como a diminuição dos níveis de estrogênio na menopausa pode influenciar?

Demência na mulher: quais são os dados e como ocorre?

Ainda que os homens cheguem a produzir uma certa quantidade de estrogênio, este é muito mais frequente entre as mulheres. E, com a chegada da menopausa, as taxas caem consideravelmente no organismo feminino.5

Em contrapartida, mesmo com uma idade mais avançada, os homens continuam a produzir testosterona ao longo de suas vidas. Ela é convertida em estrogênio nas células cerebrais, o que não os deixa em desvantagem nesse aspecto.5

De modo geral, a ciência acredita que o estrogênio pode ajudar na redução de inflamações e degradação de receptores em algumas áreas específicas do cérebro.6 E, em meio a tudo isso, surge a terapia de reposição hormonal. Será que ela é uma boa ideia para quem está na menopausa no que diz respeito à demência?

Esse tipo de terapia é um tratamento para aliviar os sintomas da menopausa, que também são causados pela diminuição dos níveis de estrogênio. Eles incluem ondas de calor, distúrbios do sono e secura vaginal.7

Ainda não está claro se a terapia de reposição hormonal reduz ou não o risco de demência, já que há resultados bastante diversos na literatura. Alguns estudos mostram pontos positivos, enquanto outros apontam para prejuízos cognitivos a partir da reposição.7

Logo, ainda não é possível “bater o martelo”. Mas uma coisa é certa: a reposição hormonal é benéfica em vários casos, como:7

  • redução de ondas de calor e suores noturnos;
  • tratamento da secura vaginal;
  • melhora das relações sexuais;
  • otimização do sono;
  • melhora geral na qualidade de vida.

Além disso, ela pode ser usada como aliada no tratamento da osteoporose, assim como em sua prevenção.7 Então, siga as recomendações do seu médico e capriche nas medidas de proteção contra a demência!

Quais são as recomendações para reduzir os riscos de demência em mulheres?

Quando o assunto é demência na mulher, ou em qualquer outro grupo, é importante focar na redução de riscos. Continue para entender mais sobre o que pode ser feito nesse sentido! 

Pratique atividade física

Praticar atividades físicas regularmente é uma das melhores maneiras de reduzir o risco de demência. Exercícios aeróbicos e de fortalecimento são importantes para manter a saúde do coração, circulação, peso e bem-estar mental.8

Controle o consumo de álcool

Beber álcool em excesso aumenta o risco de demência. Procure não exagerar, limitando-se a, no máximo, uma cerveja ou um pequeno copo de vinho por dia.8

Evite o tabagismo

Fumar aumenta significativamente o risco de demência, prejudicando a circulação sanguínea, especialmente no cérebro, coração e pulmões. Nunca é tarde para começar: parar de fumar a qualquer momento pode reduzir o dano ao cérebro.8

Invista em interações sociais

Depressão e isolamento social são fatores de risco para demência. Sendo assim, participar de atividades sociais pode ajudar a reduzir o estresse e melhorar o humor, fortalecendo as habilidades cognitivas.8

Capriche nos cuidados com a saúde

Condições como hipertensão e diabetes podem aumentar o risco de demência. Por isso, fazer exames de saúde regulares e adotar uma dieta saudável são formas importantes de cuidado e prevenção contra a condição.8

Atente à sua audição

A perda auditiva está relacionada a um risco aumentado de demência. Evite exposições prolongadas a ruídos altos e use proteção auditiva quando necessário.8

Proteja a sua região cerebral

Lesões cerebrais traumáticas podem iniciar processos no cérebro que aumentam o risco de Alzheimer. Por isso, a dica é usar equipamentos de proteção em atividades de risco, como andar de bicicleta ou praticar esportes de contato.8

Monitore a sua pressão arterial 

Por fim, controlar a pressão alta reduz o risco de doenças cardíacas, derrames e pode ajudar a prevenir ou retardar o Alzheimer. Estudos mostram que manter a pressão arterial sistólica abaixo de 120 mmHg pode reduzir o risco de comprometimento cognitivo leve e retardar mudanças cerebrais associadas à demência.9

Como você pôde perceber, a demência na mulher é uma condição relativamente comum. Sendo assim, investir em medidas para prevenir esse tipo de condição é imprescindível. Comece o quanto antes!

Caso queira saber mais sobre como cuidar de si e de todos que você ama, confira nossas outras postagens no blog A Vida Plena! 

Referências

1. Beam CR, Kaneshiro C, Jang JY, Reynolds CA, Pedersen NL, Gatz M. Differences Between Women and Men in Incidence Rates of Dementia and Alzheimer’s Disease. Journal of Alzheimer’s Disease. 2018 Jul 24;64(4):1077–83. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6226313/.

2. Alzheimer’s Research UK. The Impact of Dementia on Women. [Acesso em: 25 jul. 2024]Disponível em: https://www.alzheimersresearchuk.org/wp-content/uploads/2022/05/The-Impact-of-Dementia-on-Women-ARUK-report.pdf.

3. Alzheimer’s Association. What Is Dementia? [Internet]. Alzheimer’s Disease and Dementia. Alzheimer’s Association; 2024. [Acesso em: 7 ago. 2024]. Disponível em: https://www.alz.org/alzheimers-dementia/what-is-dementia.

4. National Institute on Aging. How is alzheimer’s disease treated? [Internet]. National Institute on Aging. 2023. [Acesso em: 25 jul. 2024]. Disponível em: https://www.nia.nih.gov/health/alzheimers-treatment/how-alzheimers-disease-treated.

5. Hormones and dementia risk | Alzheimer’s Society – Connected Content [Internet]. www.alzheimers.org.uk. [Acesso em: 25 jul. 2024]. Disponível em: https://www.alzheimers.org.uk/about-dementia/managing-the-risk-of-dementia/additional-treatments-for-dementia-risk/hormones.

6. Ali N, Sohail R, Syeda Rabab Jaffer, Siddique S, Kaya B, Inioluwa Atowoju, et al. The Role of Estrogen Therapy as a Protective Factor for Alzheimer’s Disease and Dementia in Postmenopausal Women: A Comprehensive Review of the Literature. Cureus. 2023 Aug 6. [Acesso em: 7 ago. 2024] Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10480684/

7. The North American Menopause Society. Menopause Hormone Therapy (HT) Benefits & Risks, Menopause Relief [Internet]. www.menopause.org. [Acesso em: 25 jul. 2024]. Disponível em: https://www.menopause.org/for-women/menopauseflashes/menopause-symptoms-and-treatments/hormone-therapy-benefits-risks.

8. Alzheimer’s Society. Reduce your risk of dementia | Alzheimer’s Society – Connected Content [Internet]. www.alzheimers.org.uk. 2023. [Acesso em: 25 jul. 2024]. Disponível em: https://www.alzheimers.org.uk/about-dementia/managing-the-risk-of-dementia/reduce-your-risk-of-dementia.

9. National Institute on Aging. Preventing Alzheimer’s Disease: What Do We Know? [Internet]. National Institute on Aging. 2023. [Acesso em: 25 jul. 2024]. Disponível em: https://www.nia.nih.gov/health/alzheimers-and-dementia/preventing-alzheimers-disease-what-do-we-know.

Data de produção do conteúdo: 07 de agosto de 2024.