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Publicado em: 30 de dezembro de 2024
Assuntos abordados
Quando falamos de trabalho emocional, nos referimos ao esforço que a pessoa faz para lidar com os próprios sentimentos, especialmente quando precisa demonstrar emoções diferentes das que realmente está sentindo.1
Isso acontece muito em profissões em que é preciso lidar diretamente com o público ou com situações desafiadoras. Por exemplo, profissionais que trabalham com saúde mental, como psicólogos e terapeutas, passam boa parte do tempo investindo muita energia mental nos atendimentos. Além de ajudar os pacientes, eles precisam controlar as próprias emoções e manter o equilíbrio, mesmo em momentos difíceis.1
Essa exigência emocional constante pode ser ainda maior para quem tem dificuldade em equilibrar trabalho e vida pessoal. É como se o peso emocional do trabalho acabasse refletindo na qualidade de vida geral.1
É por isso que as ações do Janeiro Branco são tão importantes. Continue a leitura deste artigo até o final para saber mais sobre essa campanha.
“O Janeiro Branco é um movimento que tem como objetivo chamar a atenção para a importância de cuidar da saúde mental e emocional. O foco é a prevenção de problemas como Burnout, ansiedade, síndrome do pânico e depressão e até pânico — que, se não tratados, podem se tornar muito sérios.”
“Essas condições podem surgir por vários motivos, como fatores genéticos, o estresse do dia a dia, o uso de substâncias ou até traumas que a pessoa tenha vivido. Dentro desse contexto, também estão incluídos a depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia, que afetam a forma como a pessoa lida com suas emoções e pensamentos.”
[O/A] especialista ainda esclarece que o Janeiro Branco é importante para “fazer com que todos, como sociedade, passem a dar mais atenção para as questões de saúde mental e emocional, tanto das pessoas individualmente quanto das instituições em que vivem e trabalham. Ou seja, a ideia é que, ao percebermos a importância desses cuidados, possamos melhorar o bem-estar de todos ao nosso redor”.
“Trabalho, metas financeiras, objetivos pessoais: tudo isso, que você define no início de cada ano, pode afetar a sua saúde mental, principalmente se você não conseguiu atingir esses objetivos ao longo dos outros anos.”
“Um exemplo de cobrança típica de início de ano é o excesso de trabalho, que pode favorecer o surgimento da Síndrome de Burnout, ou esgotamento profissional”, comenta [NOME]. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece essa síndrome como um problema diretamente relacionado ao trabalho.2
Quando falamos sobre Burnout, nos referimos a como o estresse e a pressão no trabalho podem afetar a saúde mental de uma pessoa. Estudar essa relação é importante porque essa síndrome pode ser considerada um fator de risco para problemas psicológicos mais sérios.2
Estudos mostram que o Burnout pode afetar a parte emocional e, inclusive, pode causar problemas físicos. Por exemplo, quem sofre com essa síndrome pode desenvolver doenças cardiovasculares, dores crônicas, distúrbios musculares e até depressão. Em alguns casos mais graves, pode levar a internações por questões de saúde mental e ao afastamento do trabalho.3
É importante entender que o Burnout não é apenas cansaço, uma vez que essa condição pode realmente comprometer a qualidade de vida e a saúde dos trabalhadores.3
A seguir, mostramos como o Burnout afeta os trabalhadores, considerando os exemplos de profissionais da saúde e da educação. “Mas é importante reforçar que o Burnout pode afetar qualquer tipo de profissional”, explica [O/A] especialista.
Como os médicos enfrentam uma pressão constante, o risco de Burnout pode ser ainda maior, o que pode impactar diretamente na qualidade dos cuidados que eles prestam aos pacientes. A ideia é entender melhor essa ligação e como podemos lidar com ela, principalmente para proteger profissionais da saúde.2
Se olharmos para os professores, aqui no Brasil, a situação é especialmente preocupante. Eles enfrentam jornadas muito longas. Em média, dão 6 horas de aula a mais por semana do que professores de outros países.3
Além disso, muitos trabalham em três turnos diferentes — manhã, tarde e noite — para conseguir complementar a renda. Essa rotina pesada, somada às condições de trabalho, afeta tanto a saúde mental quanto a física, aumentando o risco de Burnout nesse grupo.3
No contexto da saúde, a inteligência emocional tem se tornado uma habilidade essencial. Ela pode ajudar os profissionais a:4
A inteligência emocional está diretamente ligada à tomada de decisões mais acertadas, à redução do estresse e até à prevenção do esgotamento profissional — aquela sensação de a pessoa estar exausta tanto fisicamente quanto mentalmente por conta da carga emocional do trabalho.4
Desenvolver a inteligência emocional pode fazer toda a diferença. Estudos mostram que práticas como a meditação mindfulness ajudam bastante nesse desenvolvimento.4
Essa técnica, que consiste em focar o presente de maneira consciente e sem julgamentos, melhora a habilidade de reconhecer, entender e gerenciar as próprias emoções. Além disso, ela ajuda os profissionais a lidar com fatores estressantes do dia a dia, tornando-os mais resilientes e satisfeitos com seu trabalho.4
Pesquisas mostram que, quando conseguimos encontrar um equilíbrio entre o trabalho e nossa vida pessoal, isso pode ter um impacto positivo, porque:5
Agora, quando esse equilíbrio não existe, isso pode levar ao esgotamento profissional, que se manifesta em três formas principais:5
“Além de manter o equilíbrio saudável entre a vida pessoal e profissional, você deve dar uma atenção especial à sua alimentação.”
Pesquisas indicam que seguir uma dieta equilibrada pode ter um impacto positivo no bem-estar mental e até reduzir o risco de distúrbios mentais, especialmente em adolescentes e jovens adultos.6
Estudos também apontam para os benefícios da dieta mediterrânea, embora ainda seja difícil determinar com precisão quais elementos específicos da dieta podem influenciar nossa saúde mental, mas algumas descobertas são claras. Nutrientes presentes em alimentos como vegetais, frutas, grãos integrais e peixe têm efeitos benéficos e podem auxiliar na recuperação de doenças mentais.6
Além disso, as evidências sugerem que a ingestão de alimentos ricos em certos nutrientes, como fibras, vitaminas e antioxidantes, pode auxiliar nossa saúde mental.6
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconheceu que os transtornos mentais são um problema global significativo, afetando 1 em cada 4 pessoas em algum momento da vida.6 Então, esse problema não pode mais ser ignorado.
“O Janeiro Branco é uma campanha de conscientização, que enfatiza a importância de cuidar da sua saúde mental. Afinal, se nossa mente não está bem, todas as outras áreas da vida podem sofrer consequências. Cuide de você!”
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Artigo elaborado em: 26 nov. 2024.
* Parágrafos não referenciados referem-se à prática clínica do autor.
Referências:
1. Lee KO, Lee KS. Effects of Emotional Labor, Anger, and Work Engagement on Work-Life Balance of Mental Health Specialists Working in Mental Health Welfare Centers. Int J Environ Res Public Health. 2023;20(3):2353. 2. Ryan E, Hore K, Power J, Jackson T. The relationship between physician burnout and depression, anxiety, suicidality and substance abuse: A mixed methods systematic review. Front Public Health. 2023;11:1133484.
3. Salvagioni DAJ, Mesas AE, Melanda FN, González AD, de Andrade SM. Burnout and Long-term Sickness Absence From the Teaching Function: A Cohort Study. Saf Health Work. 2022;13(2):201-206.
4. Jiménez-Picón N, Romero-Martín M, Ponce-Blandón JA, Ramirez-Baena L, Palomo-Lara JC, Gómez-Salgado J. The Relationship between Mindfulness and Emotional Intelligence as a Protective Factor for Healthcare Professionals: Systematic Review. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(10):5491.
5. Bodendieck E, Jung FU, Conrad I, Riedel-Heller SG, Hussenoeder FS. The work-life balance of general practitioners as a predictor of burnout and motivation to stay in the profession. BMC Prim Care. 2022;23(1):218.
6. Głąbska D, Guzek D, Groele B, Gutkowska K. Fruit and Vegetable Intake and Mental Health in Adults: A Systematic Review. Nutrients. 2020;12(1):115.
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