Scroll
Corrimento vaginal: quando pode indicar uma doença?

Sem tempo para ler? Clique no play abaixo para ouvir esse conteúdo.

O corrimento vaginal é uma das maiores preocupações entre as mulheres, sendo responsável por 30% dos casos de consulta com ginecologista.1 A secreção vaginal é um processo normal no organismo feminino, cuja intensidade varia conforme influências orgânicas, hormonais e psicológicas. O desequilíbrio entre esses fatores pode levar a processos infecciosos e inflamatórios, tornando-a patológica.1

Com causas associadas a diferentes doenças, como candidíase e vaginose bacteriana (VB), o corrimento vaginal pode apresentar odor fétido e coceira, entre outros sintomas.2 Por constrangimento, medo e desconforto, muitas mulheres com sintomas vaginais acabam buscando outras alternativas antes de procurar um médico, o que não é aconselhável.3

Quer saber mais sobre esse assunto? Neste post, vamos abordar o que é corrimento vaginal e quais são as suas causas. Confira!

Do que é composta a secreção vaginal?

O conteúdo vaginal é considerado uma resposta fisiológica comum do organismo feminino.1 Em condições saudáveis, essa secreção tem cor clara ou branca, além de ser composta por líquidos cervicais, com aspecto e quantidades que variam de acordo o ciclo menstrual.1

Na maior parte do ciclo menstrual, a secreção vaginal é espessa e pegajosa.3 Em um curto período na época da ovulação, ela pode se assemelhar a clara de ovo, é transparente, viscosa e pegajosa.6

Na gravidez, o corrimento pode aumentar, diminuir de volume ou estar ausente. O uso de anticoncepcionais hormonais também pode alterar as características do corrimento, que pode se tornar mais espesso e menos líquido, o que pode reduzir e lubrificação da vagina.3,4

Quando a mulher entra na menopausa e não faz terapia hormonal, a secreção vaginal pode diminuir de volume em decorrência da queda dos níveis de estrogênio.3

Quando ocorre um processo infeccioso ou inflamatório no aparelho vaginal, as características da secreção tendem a se modificar, dando origem ao corrimento vaginal anormal.1 As alterações podem ser notadas na cor, odor, consistência e volume e o problema também pode estar associado a dor, coceira, sangramento pós relação sexual ou intermenstrual (fora do período da menstruação).3

Quando o corrimento pode indicar algo errado?

Embora a secreção que sai da vagina gere uma grande preocupação nas mulheres, nem sempre é um indicativo de que você tem um problema de saúde.1 Por isso, é preciso prestar atenção aos tipos de corrimento vaginal que o seu corpo tem produzido.

Se estamos falando de corrimento vaginal branco ou inodoro sem sintomas associados, não há razão para se preocupar.1 Isso porque, é normal que o fluído de cor clara e sem cheiro se acumule na roupa íntima no decorrer do dia.1

Há alguns critérios de alteração que indicam que o corrimento não é normal.5 São eles:

cor: o corrimento normal costuma ser esbranquiçado ou claro. Se a secreção tem coloração amarelada, acinzentada ou esverdeada, pode ser indicativo de uma infecção vaginal;5

odor: em condições normais a secreção vaginal é inodora ou tem odor suave, logo se apresenta odor forte, desagradável ou semelhante a peixe é sinal de anormalidade;5

consistência: a consistência do corrimento normal é liquida ou pegajosa. Quando ela se torna grumosa, espessa ou parecida com queijo cottage, pode ser consequência de candidíase, por exemplo;5

quantidade: a quantidade da secreção vaginal normal varia durante o ciclo menstrual. Porém, se surge em grande quantidade, pode ser um alerta para infecção vaginal.5

Nos casos de alteração do corrimento vaginal, você deve procurar ajuda médica para ser examinada e, se necessário, ser encaminhada para a realização de exames específicos e tratamento adequado.

Quais doenças podem causar infecções anormais?

Corrimento vaginal: quando pode indicar uma doença?

O corrimento anormal é frequentemente causado por infecções secundárias a bactérias, fungos e protozoários, mas também pode ser desencadeado por outros fatores.3 Acompanhe, a seguir, alguns dos principais causadores de secreção vaginal anormal.

Vaginose bacteriana

A vaginose bacteriana representa a causa mais frequentes de corrimento vaginal, sendo responsável por 9% a 41,5% dos casos do problema.2 Essa infecção tem como característica um crescimento acelerado de bactérias e redução de lactobacilos da flora vaginal.1 Os lactobacilos são responsáveis por produzir ácido lático por meio de glicólise, mantendo o pH vaginal ácido, o que estimula as bactérias boas e controla as ruins, colaborando para o bom funcionamento da vagina.1

O problema se dá pela alcalinização repetida da vagina, que pode ocorrer por causa de uso de duchas vaginais, intercursos sexuais frequentes e período pré-menstrual — fatores que causam o desequilíbrio da flora bacteriana vaginal.1

A VB não é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), tendo em vista que o tratamento do parceiro não reduz a frequência ou intervalo da recorrência do corrimento.1 Porém, ela é mais comum em mulheres que têm um número maior de parceiros sexuais do que naquelas que são sexualmente inativas.1

A metade dos casos de VB é assintomática, mas as pacientes também podem ter corrimento vaginal homogêneo, delgado, branco, amarelo esverdeado ou acinzentado, fluído ou com aspecto bolhoso.1 Pode haver, ainda, irritação, inflamação e coceira na região íntima, em 15% das mulheres.1

O tratamento da VB é feito a partir com antibiótico, com a finalidade de restabelecer o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas.1

Infecções Sexualmente Transmissíveis

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) figuram entre as causas mais comuns de corrimento vaginal.1 Entre elas está a clamídia que é um parasita intracelular que causa a infecção da uretra do epitélio do canal endocervical.1

Em 80% dos casos as pacientes infectadas por clamídia não apresentam sintomas, mas quando há manifestações clínicas, as mais frequentes são: corrimento vaginal purulento, dor abdominal baixa, dor durante a relação sexual e sangramento pós-coito.1 Geralmente, esses sintomas começam de uma a três semanas depois da infecção.1

A clamídia é tratada com o antibiótico administrada em dose única.1 O não tratamento da doença pode resultar em sequelas relevantes, como doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica – quando embrião se desenvolve fora da cavidade uterina – e até mesmo a infertilidade.1

Vale ressaltar que o parceiro sexual da mulher também deve buscar ajuda médica para diagnóstico e tratamento.1 Assim como todas as relações sexuais devem ser realizadas com o uso de preservativo.1

Outra IST que pode causar secreção vaginal anormal é a Neisseria gonorrhoeae, popularmente chamada de gonorreia.1 Nela, cocos bacterianos infectam a área de contato sexual, como uretra, endocérvix e reto.1

Apesar de a maioria das mulheres não apresentar sintomas, quando a infecção é sintomática pode gerar corrimento vaginal espesso e purulento.1 A gonorreia é tratada com os antibióticos.1

Candidíase vulvovaginal

A candidíase vulvovaginal (CVV) consiste em uma infecção vaginal comum, causada pela bactéria Candida Albicans, que acomete de 10% a 20% das mulheres em idade reprodutiva e de 30% a 40% das gestantes.1

É importante esclarecer que a CVV não é uma IST, pois pode ocorrer em mulheres inativas sexualmente e o fungo causador do problema faz parte da flora vaginal.1 Contudo, é comum que a CVV também seja diagnosticada em mulheres com ISTs que provocam corrimento vaginal.1

A CVV tem como sintomas característicos a secreção vaginal intensa, espessa e de coloração branca, sem odor fétido, com manchas vermelhas na área vulvar ou vaginal e sensação de ardência ao urinar.1 As manifestações clínicas são mais comuns na semana que antecede a menstruação e melhoram após o início da mesma.1

O tratamento da candidíase é feito com o uso de antifúngicos tópicos, imidazólicos, que são aplicados no local ou de uso oral.1

Como você pôde acompanhar, o corrimento vaginal é um sintoma comum no público feminino, podendo ser decorrente de IST ou não.1 Investigar a causa do ocorrido é imprescindível para a realização do tratamento adequado.1 Manter uma higiene íntima adequada e consultar-se regularmente com o seu ginecologistas é fundamental para prevenir o problema e ter melhor qualidade de vida.

Agora que você já sabe quando o corrimento vaginal pode ser um problema, que tal saber se a menstruação pode ser interrompida? Entenda se parar de menstrual faz  mal!

E para informações completas sobre sexualidade, contracepção e saúde íntima, explicadas de um jeito direto e sem complicação, não se esqueça de baixar o e-book “Meu corpo sem tabu”.

Referências

1. FERRACIN, Ingryt; WEFFORT DE OLIVEIRA, Rúbia Maria. Corrimento vaginal: causa, diagnóstico e tratamento farmacológico. [Maringá, PR], 2005. Disponível em: <https://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/18/corrimento.pdf>. Acesso em: 23 de fev. 2023.

2. DE CAMARGO, Kélvia Cristina; et al. Secreção vaginal anormal: sensibilidade, especificidade e concordância entre o diagnóstico clínico e citológico. [Goiânia, GO], 2015. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rbgo/a/SQK7vPDGXPSF7Q7B7DSDNSh/?lang=pt&format=pdf>. Acesso em: 23 de fev. 2023.

3. L. RAO, Vanishree; MAHMOOD, Tahir. Vaginal discharge. [S.L], 2019. Disponível em: <https://www.obstetrics-gynaecology-journal.com/article/S1751-7214(19)30206-4/pdf>. Acesso em: 23 de fev. 2023.

4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Manual de Condutas em Corrimento Vaginal. [S.L], 2019. Disponível em:<  https://www.febrasgo.org.br/images/arquivos/manuais/Manual_de_Patologia_do_Trato_Genital_Inferior/Manual-PTGI-Cap-06-Vulvovaginites.pdf>. Acesso em: 20 de abr. 2023.

5. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.Manual de Vulvovaginites da Febrasgo. [S.L], 2017. Disponível em:<https://www.febrasgo.org.br/images/arquivos/manuais/Manual_de_Patologia_do_Trato_Genital_Inferior/Manual-PTGI-Cap-06-Vulvovaginites.pdf>. Acesso em: 20 de abr. 2023.

6. MAGALHÃESI, Adriana Cristina de; PEREIRA, Daliane da Silva Alves; JARDIM, Danúbia Mariane Barbosa; CAILLAUXI, Michelle; SALES, Vinícius Bernardo Lemos. Vivência da mulher na escolha do Método de Ovulação Billings. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, p. 485-92., 2013. DOI https://doi.org/10.1590/S0034-71672013000400004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/QVJCwBztWy7FWwNZ7nT3Fgr/?lang=pt. Acesso em: 20 jun. 2023.